Educação e fascínio da fama

Um certeiro artigo do Frei Betto. Contribuição sempre muito bacana da Professora Ancila:

Não se culpe, indagando onde você errou como professor ou pai. Pergunte-se pelos valores da sociedade em que vive

Por Frei Betto — publicado na edição 81, de novembro de 2013

Há pais que nutrem nos filhos falsos ideais: destacar-se como modelo numa passarela, tornar-se desportista de projeção, alcançar a fama como atriz ou ator. O sonho congela-se em ambição e a criança ou o adolescente passam a dar-se uma importância ilusória. Mergulha no estresse de corresponder à expectativa. Tem de provar a si e aos outros que é capaz, o melhor. Passa a viver, não em razão dos valores que possui, mas do olhar do outro.

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A rua de Itália

Um olhar sobre a cidade

A Rua de Itália

Bairro São Mateus. Precisamente entre a Rua Gil Horta e a Doutor Romualdo fica a Rua Chanceler Oswaldo Aranha, antiga Rua de Itália, tradicional entrada para São Mateus. Bairro que crescia a olhos vistos e famoso por ser morada do também conhecido vice - cônsul  italiano Virgilio Bisaggio  e alfaiate renomado da cidade. Murilo Mendes, em seu livro, A idade do serrote, faz referência à arte de Virgilio quando comentou que todos deveriam procurar sua alfaiataria para ficarem bem vestidos, mas tomando cuidado, é claro, com o alfaiate “Virgilio Bisaggio, manso em português, bravo em italiano, bem educado, careca...”

A casa de Virgilio, nessa mesma rua, no número 119, serviu de inspiração para o pintor italiano Ângelo Biggi, radicado na cidade, para retirar de suas paredes,  imagens de faunos e ninfas envolvidos pela natureza e reproduzi-los no Cine Teatro Central, que estava sendo decorado na mesma época.

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Villa Iracema

Villa Iracema

Um dos meus programas preferidos é passear com minha filha de oito anos. Entramos no carro e saímos juntas a tagarelar sobre diversos assuntos, sem qualquer compromisso. Nessas ocasiões perdemos a noção do tempo e simplesmente, juntas, aproveitamos o momento.

Num desses passeios ela me perguntou: Mamãe, por que os prédios são tão altos? Eu gosto mais das casas. A pergunta me desconcertou. Eu também prefiro as casas, especialmente as construções mais antigas. Comecei a dar explicações sobre o crescimento das cidades quando caí em mim e pensei: não é o que ela quer saber. A pergunta tinha sido simples e direta, afinal vinda de uma criança. Respondi, então: Hoje é assim filha, antigamente não era. Ela olhou diretamente nos meus olhos e soltou um “como assim?” Falei: vou tentar te mostrar.

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Era só uma rugazinha...

 

Era só uma rugazinha...       

Bom Francisco pra você!”, dizia o padeiro. Num dia mais inspirado, era provável que o leiteiro, antes de deixar a garrafa de leite, também dissesse, prazerosamente: “Feliz Francisco para todos!”

FRANCISCO é um nome simples, singelo, cheio de histórias. É nome de gente, é nome de artista, é nome de santo, é nome especial. Mas o que poucos sabem é que Francisco também é forma de saudação. Explico: vinda da capital mineira para cá, tão de fora, caí de morar numa rua de nome Francisco. Um nome espichado e preguiçoso para uma rua: rua Francisco Henriques.

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Das margens ao amor

 

Das margens ao amor.

A cidade que olho da sacada de minha varanda dorme serena sob um manto azul generoso, repleto de estrelas e de uma lua capaz de embriagar poetas ou espíritos mais simples, porém, sensíveis. Posso sentir o aroma perfumado vindo dos canteiros da pista central da Rio Branco que, aos poucos, vai se misturando à brisa ligeira da madrugada e juntos me devolvem à infância, às buganvílias policromas suspensas na sacada da casa da avó paterna , despertando alguma fibra íntima de minha memória. A cidade, agora, torna-se minha amiga e confidente.

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