Na delegacia

Atividade de produção de texto - Elaboração de um desfecho para o conto "Na delegacia", de Carlos Drummond de Andrade.

 Na delegacia.

Carlos Drummond de Andrade.

- Madame, queira comparecer com urgência ao Distrito. Seu filho está detido aqui.
-Como? O senhor ligou errado. Meu filho detido? Meu filho vive há seis meses na Bélgica, estudando Física.
-E a senhora só tem esse?
-Bom, tenho também o Caçulinha, de dez anos.
- Pois é o Caçulinha.
- O senhor está brincando comigo. Não acho graça nenhuma. Então um menino de dez anos foi parar na Polícia?
- Madame vem aqui e nós explicamos.
A senhora correu ao Distrito, apavorada. Lá estava o Caçulinha, cabeça baixa, silencioso.
- Meu filho, mas você não foi ao colégio? O que foi que aconteceu?
Não se mostrou inclinado a responder,
-Que foi que meu filho fez, seu comissário? Ele roubou? Ele matou?
- Estava com um colega fazendo bagunça numa casa velha da Rua Soares Cabral. Uma senhora que mora em frente telefonou avisando, e nós trouxemos os dois para cá. O outro garoto já foi entregue à mãe dele. Mas este diz que não quer voltar para casa.
A mãe sentiu uma espada muito fina atravessar-lhe o peito.
-Que é isso meu filho? Você não quer voltar para casa?
Continuava mudo.
-Eu disse a ele, madame - continuou o comissário - que se não voltasse para casa teria de ser entregue ao Juiz de Menores. Ele me perguntou o que é o Juiz de Menores. Eu expliquei, ele disse que ia pensar.
- Meu filho, meu filhinho - disse a senhora, com voz trêmula - então você não quer mais ficar com a gente? prefere ser entregue ao Juiz de Menores?
Caçulinha conservava-se na retranca. O policial conduziu a senhora para outra sala.
- O que esses garotos estavam fazendo é muito perigoso. Brincavam de explorar uma casa abandonada, onde à noite dormem marginais. Madame compreende, é preciso passar um susto nos dois.
A senhora voltou para perto de Caçulinha, transformada:
- Sai daí já seu vagabundo, e vamos para casa.
O mudo recuperou a fala:
- Eu não posso voltar, mãe.
- Não pode? Espera aí que eu te dou não-pode.
E levou-o pelo braço, ríspida. Na rua, Caçulinha tentou negociar:
- A senhora me deixa passar na Soares Cabral? Deixando, eu volto direto para casa, não faço mais besteira.
- Passar em Soares Cabral, depois desse vexame? Você está louco.
-Eu preciso mãe. Tenho de pegar uma coisa lá.
-Que coisa?
- Não sei, mas tenho de pegar. Senão me chamam de covarde. Aceitei o desafio dos colegas, e se não trouxer um troço da casa velha para eles, fico desmoralizado.
-Que troço?
-O pessoal diz que lá tem ferros para torturar escravo, essas coisas. Eu e o Edgar estávamos procurando, ele mais como testemunha, eu como explorador. Mãe, a senhora quer ver seu filho sujo no colégio, quer? Tenho de levar nem que seja um pedaço de cano velho, uma fechadura, uma telha.
A mãe estacou para pensar. Seu filho sujo no colégio? Nunca. Mas e o perigo dos marginais? E a polícia? E seu marido? Vá tudo para o inferno. Tomou uma resolução macha, e disse para Caçulinha:
-Quer saber de uma coisa? Eu vou com você a Soares Cabral.           

                                                                                                                                     ( Em: O Poder Ultra Jovem -Ed. José Olímpio 1974) 

Atividade - Foi pedido aos alunos que elaborassem um novo final para a história a partir do penúltimo parágrafo.

Produza um final para a história de ,no mínimo, 4 linhas, dando um final (desfecho) para a história. Leve em conta tudo aquilo que estudamos até agora sobre texto.

Confiram os interessantes e criativos finais que nossos alunos deram ao conto:

 Versão da aluna Cecília H. Rodrigues 6ºA:

A mãe estacou para pensar. Seu filho sujo no colégio? Nunca. Mas e o perigo dos marginais? E a polícia? E seu marido? Vá tudo para o inferno. Tomou uma resolução macha e disse para o Caçulinha:  - Está de castigo! Primeiro por ter concordado com essa aposta sem pé nem cabeça e, depois, por ter me exposto na delegacia! Não estou nem um pouco preocupada com o que seus falsos amigos do colégio vão lhe dizer, me importo mesmo é com sua segurança. Portanto.... já para a casa!

  Versão do aluno   Hugo Noyma 6º A:                                                                                                   

A mãe estacou para pensar. Seu filho sujo no colégio? Nunca. Mas e o perigo dos marginais? E a polícia? E seu marido? Vá tudo para o inferno. Tomou uma resolução macha e disse para o Caçulinha: - Não filho, você não vai de novo para aquela casa! - Mas mãe, eu preciso! "Já disse que não", gritou a mãe. Mas o Caçulinha correu e foi do mesmo jeito, mesmo sem a aprovação da mãe. Quando ele chegou lá na casa, alguns marginais já estavam esperando por ele. Os bandidos pegaram o Caçulinha e levaram o garoto para um lugar que até hoje ninguém sabe onde fica....

 Versão da aluna Luíza Macedo 6ºA:                                                                                                                                                             

A mãe estacou para pensar. Seu filho sujo no colégio? Nunca. Mas e o perigo dos marginais? E a polícia? E seu marido? Vá tudo para o inferno. Tomou uma resolução macha e disse para o Caçulinha: - Ok, pode ir, mas com uma condição: que eu vá junto com você! O garoto não pensou em mais nada, só em dizer "tudo bem". Quando chegaram lá… Ai meu filho, tem certeza de que quer entrar nesta casa? perguntou a mãe, aflita. -Tenho sim, se não quiser entrar pode ficar ai mesmo. -Você está louco? Acha que vou deixar você entrar sozinho? -Então para de falar e vamos entrar. Quando entraram na casa, ficaram surpresos! A casa era toda pichada, e cheia de bichos nojentos. Os vários cômodos do local estavam cheios de objetos velhos, mas o que chamou mais a atenção do menino foi uma taça velha meio prata que ele escolheu para levar como prova. - Bom meu filho, pegue isso logo e vamos embora. No dia seguinte o Caçulinha mostrou a taça para os colegas, e todos eles começaram a chamá-lo de valentão e corajoso. Satisfeito, o menino prometeu não entrar novamente em uma aventura daquelas.            

Versão da aluna Fernanda Salles 6ºA:                                                                                   

A mãe estacou para pensar. Seu filho sujo no colégio? Nunca. Mas e o perigo dos marginais? E a polícia? E seu marido? Vá tudo para o inferno. Tomou uma resolução macha e disse para o Caçulinha: - Meu filho vamos lá , mas temos que tomar cuidado com os perigos da rua, além disso, a polícia pode estar nos vigiando, o seu pai pode nos ver... Você entra lá, pega o combinado e vamos embora para casa. No dia seguinte Caçulinha levou o "combinado" para os colegas e assim não ficou sujo na escola !

 Versão da aluna  Tayná S. Guimarães 6ºA:     

- Vá meu filho, não quero que seus amigos fiquem de mal com você! Porém, da próxima vez, não faça esse tipo de aposta. Você pode se meter em confusões como a de hoje e eu não quero você metido em tumulto! Caçulinha e a mãe foram correndo para o destino marcado pelo menino: a casa mal assombrada da rua Soares Cabral. Chegando lá, o menino viu a casa e entrou correndo lá dentro, pegou uma maçaneta velha e saiu rapidamente do local. No dia seguinte ele foi para a escola e mostrou aos amigos a maçaneta e conseguiu provar para todos que é um grande e corajoso explorador.    

 Versão da aluna Isabel B. F. Almeida – 6ºC

- Meu filho, vamos entrar naquela casa, porém, não vamos pegar nada, apenas tiraremos algumas fotos. Mas antes, vamos tentar convencer a mulher que mora em frente à casa a nos ajudar.

A mãe e o filho foram até o lugar e explicaram a situação para a vizinha que entendeu a razão de eles estarem lá e até ficou na porta da casa, vigiando o local. A mãe entro na frente para verificar se não estavam lá os marginais. Confirmado que não havia ninguém, o garoto entrou e tirou as fotos.

No dia seguinte, Caçulinha foi para o colégio e mostrou as fotos para os amigos. No final, o menino ficou conhecido como o mais corajoso e inteligente da turma. 

Versão da aluna Isabella Barata – 6ºC

-          Então vamos lá, mas irei com você, está bem?

-          Tudo bem, mãe. – Respondeu o garoto contrariado.

Ao chegarem no lugar, o menino pegou o que precisava e, quando eles saíam, ouviram um forte barulho que logo descobriram ter sido provocado pelos marginais que lá viviam. Mais do que de pressa, avisaram ao delegado que acabou prendendo os bandidos em flagrante. Dessa forma, Caçulinha foi tido como herói porque, além de conseguir uma prova de que esteve lá, ajudou a polícia a capturar aqueles perigosos bandidos.  

Versão da aluna Rafael – 6ºB

            - Você não vai a lugar nenhum, é perigoso demais! Para você não ser chamado de covarde, eu dou um outro jeito: eu compro um chicote antigo daqueles usados para bater nos escravos.

            - Obrigado, mãe. Também acho essa uma boa ideia.  

Versão da aluna Beatriz A. Lopes – 6ºA

            - Tá bom, pode ir, mas vou ficar de olho em você!

            - Muito obrigado, mãe, vou em um pé e volto no outro, prometo.

            - Você pega o que tem que pegar e volta imediatamente para casa, me ouviu?

            E assim foi feito: Caçulinha voltou logo depois que conseguiu pegar alguma prova. Quando chegou na escola, nem seus amigos acreditaram que ele tinha ido lá mesmo e o garoto ficou conhecido por sua coragem.

 

Comentários   

 
+4 #2 Alunos Santa Catarina 20-04-2015 09:02
Muito legais os textos!Mas quando você vai postar o final da minha história Fernando?
 
 
+4 #1 Alunos Santa Catarina 30-03-2015 15:11
e o meu fernando? eu te entreguei
 

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